Livro Política - Aristóteles - CAPA DURA - tradução direta do grego por Mário da Gama Kury

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Um clássico da filosofia ocidental. Assim, pode ser definido o livro Política, de Aristóteles. Lado a lado, Política e Ética a Nicômacos formam o grande tratado de ética e justiça do filósofo grego.

Da mesma forma que na Ética a Nicômacos Aristóteles faz o estudo da moral descer do mundo ideal das abstrações platônicas para a realidade da vida de todos os dias e de todas as criaturas humanas, na Política o grande filósofo se dedica à investigação de formas de governo conhecidas, visando apenas à escolha da melhor entre elas e ao seu aperfeiçoamento, em vez de doutrinar sobre um Estado utópico e estadistas-filósofos (ou filósofos-estadistas), como fizera seu mestre Platão com muita eloquência mas nenhum realismo.

Depois de procurar determinar na Ética a Nicômacos a maneira de viver que leva à felicidade humana, Aristóteles investiga na Política, por ele considerada uma continuação da Ética, a forma de governo e as instituições capazes de proporcionar essa maneira de viver, tendo em vista que o homem é por natureza um "animal social" (ou "político", no sentido de viver em comum com seus semelhantes na pólis), segundo diz o autor no Livro I, cap. I (1253 a).

Apesar dos dois mil e trezentos anos passados desde a composição da Política, a sua atualidade surpreende. Como nos recorda o prof. José Reinaldo de Lima Lopes, no prefácio desta edição, "A Política trata dos grandes temas que continuam a ser a chave de leitura de qualquer vida social organizada: as liberdades recíprocas, a igualdade, a justiça, os poderes da autoridade, os limites a tais poderes, as formas de deliberar sobre a cooperação e o futuro, a forma de aplicar as leis e punir os delinquentes, enfim tudo aquilo que continua a nos ocupar hoje."

Este livro é indicado para advogados, contadores, administradores, jornalistas, estudantes de Direito, Filosofia, Ciências Contábeis, Administração, Comunicação e todos aqueles que se interessam pela obra de Aristóteles.

Título: Política
Edição: 1a.
Ano: 2021
Autor: Aristóteles
Tradução: Mário da Gama Kury (tradução direta do grego para o português brasileiro)
Prefácio: José Reinaldo de Lima Lopes
Páginas: 304
Formato: 16 x 23 cm
AcabamentoCAPA DURA
ISBN: 978-65-86224-08-5

 

Leia, a partir de agora, trechos da introdução desta edição, elaborada pelo tradutor Mário da Gama Kury.

SOBRE ARISTÓTELES
Aristóteles nasceu em Stágiros (posteriormente Stágira, atualmente Stavra), na Calcídice, território macedônio, em 384 a.C., e morreu em Cálcis (atual Evripo), na Eubeia, em 322. Seu pai era Nicômacos, da confraria dos asclepíadas, médico e amigo de Amintas II, rei da Macedônia. É provável que Aristóteles tenha vivido parte de sua infância em Pela, sede da corte dos reis macedônios, e que tenha herdado de seu pai o interesse pelas ciências naturais, constante em sua obra. Aos dezoito anos ele ingressou na escola de Platão, em Atenas, e nela permaneceu até 348-347, época da morte do mestre, primeiro como aluno e depois como colaborador de certo modo independente. Desgostoso com a escolha de Spêusipos, representante de uma tendência do platonismo que lhe repugnava – a transformação da filosofia em matemática –, Aristóteles deixou a Academia. Juntamente com Xenôcrates, outro filósofo platônico descontente, ele aceitou o convite de um colega na Academia (Hermias, futuro governante de Atarneus e Assos, na Mísia, Ásia Menor), que reuniu em torno de si um pequeno círculo platônico. Aristóteles permaneceu em Assos até a morte de Hermias, em 345 a.C., e lá contraiu matrimônio com Pítias, sobrinha de Hermias. De Assos ele foi para Mitilene, na ilha de Lesbos, talvez por influência de Teôfrastos, seu discípulo, colaborador e sucessor, natural de Éresos, na mesma ilha. Em 343-342 Filipe, então rei da Macedônia, convidou-o a voltar a Pela para ser professor de seu filho Alexandre; durante esse período Aristóteles compôs para Alexandre duas obras, que se perderam, chamadas Os Colonos e Sobre a Monarquia; tudo indica que suas aulas a Alexandre a respeito de política foram a origem de seu interesse pelo assunto.

Suas relações com Alexandre terminaram quando este foi alçado à regência do império, em 340, aos dezenove anos de idade; naquela ocasião Aristóteles provavelmente voltou a Stágiros. Em 335, pouco depois da morte de Filipe, Aristóteles regressou a Atenas. Nos arredores da cidade, presumivelmente entre o monte Licábetos e o rio Ílissos, onde havia um pequeno bosque consagrado a Apolo Lício e às Musas, Aristóteles se instalou em alguns prédios existentes no local e fundou sua escola; entre os prédios havia uma colunata coberta (perípatos), origem do nome da escola. Lá ele constituiu uma coleção de manuscritos – protótipo de todas as bibliotecas da Antiguidade – e, também de mapas, além de um museu com objetos para ilustrar suas aulas, especialmente de zoologia; consta que Alexandre teria contribuído com uma elevada soma para a coleção. Aristóteles estabeleceu normas para a sua comunidade, inclusive refeições em comum e um seminário mensal. Uma de suas realizações mais importantes foi a organização de pesquisas em grande escala, das quais o levantamento de 158 constituições de cidades-estados helênicas foi um exemplo. Sob sua orientação Teôfrastos realizou pesquisas botânicas, e Aristôxenos pesquisas musicais; além disto o primeiro compilou histórias básicas do pensamento helênico anterior, englobando a física, a psicologia e a cosmologia; Êudemos fez o mesmo em relação à matemática, à astronomia e à teologia, e Mênon em relação à medicina.

Durante sua segunda estada em Atenas morreu Pítias, sua primeira mulher, e Aristóteles passou a viver com Herpílis, da qual teve um filho chamado Nicômacos, a quem teria dedicado uma de suas Éticas. Após a morte de Alexandre, em 323, recrudesceram em Atenas os sentimentos antimacedônios, e uma acusação de impiedade foi levantada contra Aristóteles; este, alegando querer evitar que os atenienses “pecassem duas vezes contra a filosofia” (referindo-se ao processo do qual resultou a morte de Sócrates), deixou a escola entregue a Teôfrastos e retirou-se para Cálcis, onde morreu. A principal fonte para a biografia de Aristóteles é o livro V da Vidas dos Filósofos de Diôgenes Laêrtios, que viveu na metade do século III d.C. mas usou fontes muito mais antigas, hoje perdidas.

O “Corpus” Aristotélico
De acordo com o catálogo constante do livro V da Vidas dos Filósofos de Diôgenes Laêrtios, Aristóteles teria escrito cerca de quatrocentas obras, das quais restam quarenta e sete, entre as certamente autênticas, as provavelmente autênticas, as de autenticidade duvidosa e as espúrias, além de fragmentos das obras perdidas. Destas quarenta e sete somente uma pertence à classe das chamadas exotéricas, ou seja, obras de divulgação, para a “gente de fora da escola”, portanto o público: trata-se da Constituição dos Atenienses, descoberta no fim do século XIX; as demais se incluem na classe das obras exotéricas, ou acroamáticas, isto é, destinadas ao estudo dentro da escola, e subdivididas em notas de aula e em obras realmente científicas. O estilo das obras exotéricas era mais cuidado, e muitas delas tinham a forma de diálogos, à maneira platônica; a elas se aplicam os elogios de Cícero e Quintiliano, respectivamente nas Acadêmicas, 2, 38, 119, e nas Instituições Oratórias, X, 1, 83.

Entre as obras exotéricas chegadas até nós são geralmente consideradas autênticas as seguintes: Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos, Refutações Sofísticas, Física, Do Céu, Da Geração e da Decomposição, Meteorológicos, Da Alma; os opúsculos seguintes entre os chamados em conjunto Pequenas Obras sobre Ciências Naturais: Do Sentido e das Coisas Sensíveis, Da Memória e da Reminiscência, Do Sono, Dos Sonhos, Da Adivinhação pelo Sono, Da Longevidade e da Brevidade da Vida, Da Juventude e da Velhice, Da Vida e da Morte e Da Respiração; História dos Animais (os livros VII, parte do VIII, e IX, seriam espúrios), Das Partes dos Animais, Da Marcha dos Animais, Da Geração dos Animais, Metafísica, Ética a Nicômacos, Política, Retórica e Poética (incompleta). São tidas como provavelmente autênticas as seguintes: Da Interpretação, Do Movimento dos Animais, Ética a Êudemos (presumivelmente anterior à Ética à Nicômacos). São de autenticidade duvidosa as Categorias e a Ética Maior. São consideradas espúrias: Do Mundo, Do Espírito, Das Cores, Das Coisas Ouvidas, Fisiognômicos, Das Plantas, Das Coisas Maravilhosas que se Ouvem, Problemas Mecânicos, Problemas, Das Linhas Indivisíveis, Da Situação dos Ventos, Sobre Melissos, Xenofanes e Górgias, Das Virtudes e dos Vícios, Da Economia e Retórica a Alexandre. Os numerosos fragmentos (680) das obras perdidas constam da coletânea de Valentinus Rose Aristotelis qui Ferebantur Librorum Fragment, Leipzig, 1886, que contém ainda duas Vidas do filósofo.

A Política
Nos capítulos iniciais da Ética a Nicômacos Aristóteles aplica o termo “política” a um assunto único − a ciência da felicidade humana − subdividido em duas partes: a primeira é a ética e a segunda é a política propriamente dita. A felicidade humana consistiria em uma certa maneira de viver, e a vida de um homem é o resultado do meio em que ele existe, das leis, dos costumes e das instituições adotadas pela comunidade à qual ele pertence. Na zoologia de Aristóteles o homem é classificado como um “animal social por natureza” (Política, 1253a, livro I, capítulo I, § 9), que desenvolve suas potencialidades na vida em sociedade, organizada adequadamente para seu bem-estar. A meta da “política” é descobrir primeiro a maneira de viver que leva à felicidade humana, e depois a forma de governo e as instituições sociais capazes de assegurar aquela maneira de viver. A primeira tarefa leva ao estudo do caráter (ethos), objeto da Ética a Nicômacos; a última conduz ao estudo da constituição da cidade-estado, objeto da Política. Esta, portanto, é uma sequência da Ética, e é a segunda parte de um tratado único, embora seu título corresponda à totalidade do assunto. Aliás, já na geração anterior a Aristóteles, Platão, seu mestre, havia abrangido as duas partes do assunto em um só diálogo − A República.

No esquema global das ciências segundo Aristóteles, a “política” pertence ao grupo das ciências práticas, que buscam o conhecimento como um meio para a ação, em contraposição às ciências teóricas (a metafísica e a teologia, por exemplo), cujo conhecimento é um fim em si mesmo. As ciências práticas se subdividem por sua vez, de conformidade com a sistemática dicotômica de Aristóteles, em dois grupos: as ciências “poiéticas” (ou seja, produtivas), que nos ensinam a produzir coisas, e as ciências no sentido mais estrito, que nos mostram como agir; as primeiras visam a algum produto ou resultado, enquanto a prática mesma do conhecimento adquirido é o próprio fim no caso das últimas. As primeiras incluem as profissões e os ofícios e as últimas abrangem as chamadas “belas artes” (a música e a dança, por exemplo), que são em si mesmas um fim. ‌

A ciência prática por excelência é a “política”, isto é, a ciência do bem-estar e da felicidade dos homens como um todo; ela é prática no sentido mais amplo da palavra, pois estuda não somente o que é a felicidade (o assunto da Ética) mas também a maneira de obtê-la (o assunto da Política); ao mesmo tempo ela é prática no sentido mais estrito, pois leva à demonstração de que a felicidade não é o resultado de ações, mas é em si mesma uma certa maneira de agir. Após estes esclarecimentos, limitemo-nos agora à Política.

Em sua maior parte as obras esotéricas de Aristóteles assemelham-se a compilações de várias “lições” acerca dos diferentes aspectos do assunto em exame, reunidas às vezes sem muita concatenação para formar em conjunto um tratado abrangente. Esta observação se aplica especialmente à Política, aparentemente constituída de três grupos de “lições”, ou exposições, aos quais faltou o toque final; por isto eles não estão suficientemente entrosados e se sobrepõem parcialmente. Os três grupos seriam em linhas gerais os seguintes: primeiro, os livros I, II e III, à guisa de introdução (a teoria do Estado em geral e a classificação das várias espécies de constituições); segundo, os livros IV, V e VI, tratando da política prática (natureza das constituições existentes e dos princípios para seu bom funcionamento); terceiro, livros VII e VIII, examinando a política ideal (estrutura da melhor cidade, obviamente inacabado).

Com efeito, é evidente em toda a Política o tom de aula, ou exposição de professor a alunos, como se se tratasse de apostilas talvez organizadas por discípulos com base nas lições do mestre, para sua preservação e utilização futura. Daí a forma de certo modo confusa em que a obra chegou até nossos dias, levando muitos estudiosos a propor uma nova sequência dos livros, por considerarem a disposição tradicional dos mesmos completamente ilógica. Independentemente da ordem discutível na sequência dos livros há também diferenças acentuadas de fundo e forma entre os próprios livros; o VII e o VIII, por exemplo, diferem dos três primeiros por seu dogmatismo, e seu estilo mais elaborado leva a crer que eles se inspiram em obras mais cuidadas, certamente exotéricas.‌

Há também afinidades entre os livros II, III, VII e VIII e a Ética Eudêmia. Os livros IV e VI se distinguem dos demais por seu caráter eminentemente prático e menos idealista; o livro V, principalmente, pela atenção dispensada aos meios de preservar as formas de governo, mesmo as mais corrompidas, tem afinidades com O Príncipe de Maquiavel; estes três livros diferem do resto da Política também pela quantidade de detalhes históricos neles mencionados. É possível que tais discrepâncias se devam ao fato de as aulas que deram origem à Política datarem de períodos diferentes, ao longo dos anos em que Aristóteles esteve à testa de sua escola, durante os quais suas ideias podem ter-se modificado e amadurecido.

A despeito da aparente desordem na composição, a Política é uma das obras de Aristóteles mais interessantes para o leitor moderno, talvez pela permanente atualidade dos temas nela tratados. O fato é que, para uma obra composta há mais de 2.300 anos, a Política justificaria por si mesma, em grande parte, a fama de Aristóteles ao longo de mais de dois milênios. Apesar de sua perenidade, para uma fruição mais completa da obra convém ter em vista certas peculiaridades da época em que foi concebida; entre elas sobressai a naturalidade com que Aristóteles admite a escravidão e a justifica; não se deve esquecer que mesmo os gênios são influenciados pelas realidades diante de seus olhos, sobretudo se elas se explicam por uma necessidade inelutável, como a de os escravos na antiguidade serem o instrumento de produção por excelência, equivalente às máquinas de hoje, e que certamente pareceria a Aristóteles mais justo, ou menos injusto, poupar nas frequentes guerras estes instrumentos únicos de trabalho, para depois escravizá-los, em vez de matá-los cruelmente em sua condição de prisioneiros; quando se acha natural a pior das formas de atrocidade, que é a guerra, todas as outras parecerão igualmente naturais, inclusive formas atuais de sujeição, como a ideológica, e de crueldade, como a praticada sob o impulso do fanatismo político ou religioso. Melhor, porém, que emitir juízos subjetivos sobre Aristóteles é pôr os leitores em contato direto com ele, para que formem por si mesmos uma opinião a respeito dos méritos ou deméritos do filósofo que inegavelmente mais influenciou a filosofia ocidental, e sobre o qual o severo Darwin disse: “Linnaeus and Cuvier have been my two gods, but they were mere schoolboys to old Aristotle.” (citação de W. D. Ross no verbete ARISTOTLE do “Oxford Classical Dictionary”, página 116, início da coluna b)

O Estilo das Obras Esotéricas.
Nada poderia caracterizar melhor os aspectos mais representativos do estilo de Aristóteles nas obras esotéricas do que uma observação dele mesmo, no livro III, capítulo V, §§ 4 (final) e 5 (início) = 1279b: “...o método de quem estuda filosoficamente qualquer matéria, e não apenas seu aspecto prático, consiste em não negligenciar ou omitir qualquer detalhe.”

Realmente, esta determinação no sentido de ser exaustivo marca indelevelmente o estilo do autor da Política (ou de seus compiladores que o repetiam), que não recua diante da repetição e da monotonia para exprimir seu pensamento; é o estilo como consequência do método. Esta preocupação detalhista leva Aristóteles a ser difuso e confuso às vezes, e muitos trechos da Política são um desafio à argúcia do leitor (e o pesadelo do tradutor). Mas em uma obra como a Política o fundo prevalece sobre a forma, e neste ponto tanto o leitor quanto o tradutor sentir-se-ão recompensados em seu esforço constante para acompanhar o raciocínio do autor.

Esta Tradução.
Procuramos fazer uma tradução fiel à forma e ao espírito do original, ou seja, reproduzir o que Aristóteles escreveu e como ele escreveu. Muitas vezes surge a tentação de, para maior clareza, parafrasear o original, à maneira de numerosos tradutores; resistimos tanto quanto possível, pois se a obra é em si mesma de leitura difícil seria incorreto dar a impressão de uma falsa fluência. Algumas dificuldades decorrem obviamente de erros introduzidos nos manuscritos através dos muitos séculos decorridos em sua transmissão até as primeiras edições impressas; se mesmo nestas houve, como ainda há, erros evidentes de impressão, imagina-se facilmente o que pode ter havido em termos de equívocos dos escribas, muitas vezes desconhecedores dos assuntos tratados nos textos que transcreviam, e em certos casos separados por mais de um milênio do grego do tempo de Aristóteles (os manuscritos mais antigos da Política que nos restam datam do século XV, ou seja anteriores em apenas um século à sua primeira edição). No caso destes erros, detectados pelos editores sucessivos de Aristóteles, multiplicaram-se as propostas de correções dos eruditos, e naturalmente os editores têm não somente o direito mas até o dever de exercer o seu senso crítico na escolha da conjectura que lhe pareça mais condizente com o espírito do autor no conjunto da obra; o mesmo se aplica aos tradutores. Tais ocorrências, todavia, raramente são de molde a alterar o sentido geral das ideias. Outras dificuldades resultam da obscuridade de certos trechos – felizmente não muito numerosos, escritos inicialmente de maneira pouco clara, mesmo para a época, ou tornados ininteligíveis com o passar dos séculos, pela impossibilidade de entender certas alusões a fatos e circunstâncias óbvios em seu tempo, mas cujo significado se diluiu completamente depois de mais de dois milênios. Não se imagine que procuramos eximir-nos da responsabilidade de nossos erros; queremos apenas evitar que nos sejam atribuídos os alheios.

Serviu de base à nossa tradução o texto editado por F. Susemihl na coleção Teubner, 3a edição, Leipzig, 1882; consultamos também o texto e o aparato crítico da edição de Immanuel Bekker nas obras completas de Aristóteles para a Real Academia da Prússia, Berlim, 1831, cuja paginação reproduzimos ao lado de nossa tradução, por ser usada como referência em quase todas as obras posteriores relativas ao nosso autor; reproduzimos também a divisão tradicional dos livros em capítulos, usada em obras anteriores à edição de Bekker e em algumas traduções da Política.

Nas passagens mais obscuras do texto consultamos as traduções de Benjamin Jowet (volume X das obras completas de Aristóteles, Oxford, 1921), de H. Rackham (Loeb Classical Library, London, 1932), e de Thurot, revista por Bastien (Paris, reimpressão de 1926).

Mário da Gama Kury.

 

PREFÁCIO: PROF. DR. JOSÉ REINALDO DE LIMA LOPES. Doutor e livre-docente pela Universidade de São Paulo, onde é Professor titular do Departamento de Filosofi a e Teoria Geral do Direito. Professor fundador e pesquisador da FGV Direito em São Paulo, entre 2002 e 2014. Professor visitante da Universidade da Califórnia, San Diego (1995), da Universidade Nacional da Colômbia (2001-2003), da Universidade de Munique, Alemanha (2002), da Universidade de Toulouse (2016) e de Bordéus (2018), França. Pesquisador visitante da Universidade de Roma “La Sapienza” (2009). Fundador e primeiro presidente do Instituto Brasileiro de História do Direito (2002-2005). Autor de diversos ensaios e livros, entre eles As palavras e a lei (2004), O Oráculo de Delfos: o Conselho de Estado no Brasil Império (2010) e História da justiça e do processo no Brasil do século XIX (2017).

TRADUÇÃO: MÁRIO DA GAMA KURY foi um dos mais destacados tradutores brasileiros de textos clássicos da cultura greco-romana. Ele traduziu mais de 30 textos como A Trilogia Tebana, de Sófocles, Oréstia, de Ésquilo, e organizou o Dicionário de Mitologia Grega e Romana, com aproximadamente três mil verbetes, considerado fundamental para o conhecimento dessas civilizações, sua pré-história, mentalidade, sentimentos e instituições.
Kury nasceu em Sena Madureira, no Acre, em 30 de dezembro de 1922. Filho de imigrante libanês com mãe brasileira, o jovem acreano se formou em Direito e, nos anos 1940, começou a trabalhar na Cia. Vale do Rio Doce, lá permanecendo por mais de 30 anos. No início dos anos 1970, tornou-se diretor comercial da companhia.
Intelectual singular, Kury falava seis línguas fluentemente. Quando se aposentou em 1976, pôde se dedicar mais intensamente à paixão de toda a vida: a tradução de clássicos da literatura greco-romana, diretamente do original para o português. O amor à língua de Aristóteles surgiu ainda menino ao folhear livros em grego da coleção do pai. Já adulto, decidiu aprender a ler "aqueles caracteres diferentes" por conta própria.
"Certa vez, meu pai me disse: 'Quando você crescer, procure ler esses livros porque eles são eternos'. Aquilo ficou na minha cabeça e nunca mais saiu”, relatou Kury em entrevista para o livro comemorativo dos 60 anos da Vale, publicado em 2002.
Em abril de 2013, a família de Kury doou à Academia Brasileira de Letras a biblioteca do tradutor, com mais de 1.700 livros. Incluem-se na coleção de Kury algumas raridades, entre elas um livro em latim sobre Aristóteles, datado de 1592, e um dicionário greco-romano, de 1877. Mario da Gama Kury faleceu no Rio de Janeiro, em 7 de outubro de 2016.

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